Los Roques: Onde o Destino Surpreende e Gatinhos Roubam a Cena

Quando planejamos nossa rota durante a temporada de furacões (de junho a novembro), já sabíamos que “descer” para Aruba, Bonaire e Curaçao era o plano ideal — afinal, essas ilhas estão fora da zona de furacões. Mas como toda boa volta ao mundo, o improviso sempre dá um jeitinho de entrar no roteiro…

“E esse tal de Los Roques?”

Começamos a ouvir rumores sobre um arquipélago venezuelano chamado Los Roques. Vi algumas imagens no Instagram de outros viajantes e os amigos do veleiro Orcas também tinham passado por lá, só elogios! Aquelas fotos aéreas… PQP! Impossível não se impressionar.

Fiquei empolgada e comecei a perturbar o Ayres (que queria ir direto de Porto Rico a Curaçao).

Resultado? Mudança de rota! Partimos das Ilhas Virgens Americanas direto para Los Roques.

370 milhas náuticas. Vento de través. Travessia suave. Amém.

Ancoramos à noite. Quando amanheceu, meu coração disparou: tons de azul inacreditáveis e uma praia praticamente deserta. Estávamos na Ilha Sarki, com apenas um catamarã e um veleiro ancorados junto com a gente.

Bora “pagar pra ver”

Sabíamos dos trâmites de imigração, mas alguns países dão 24h de tolerância, então… resolvemos dar uma espiadinha. Quando Ayres me perguntou “E aí, o que a gente faz?”, respondi na lata:

“Vamos curtir o lugar. Volta ao mundo é isso: ou a gente vai embora depois do deslumbre ou a gente literalmente paga pra ver.”

Spoiler: pagamos!

Seguimos de Sarki para Gran Roque, a ilha principal (cerca de 7 milhas náuticas), para dar entrada oficialmente.

O check-in mais caro (e mais mágico) da vida

Preparei um resuminho com os 6 passos da burocracia:

1. INEA – Container branco simpático, pagamos 60 USD.

2. Guarda Costeira – Carimbos, tudo tranquilo.

3. Inparques – Estava fechado, mas subindo uma escadinha… surpresa: três gatinhos lindos nos esperando!

4. Guarda Nacional – Mais carimbos.

5. SATIM – Taxa salgada: 360 USD (varia com o tamanho do barco).

6. Imigração – Por fim, 180 USD.

Total: 600 dólares. Nunca investimos tanto numa entrada de país, mas a essa altura já estávamos apaixonados.

Um encontro do destino: a chegada da Brisè

Voltamos ao Inparques depois de finalizar tudo. Lá estavam eles: agora só dois gatinhos e a mãe. Um havia desaparecido.

Fui direto pedindo para adotar um dos filhotes. A funcionária ficou meio perdida, tentando preencher papéis enquanto eu implorava:

“Por favor, por favor, prometo levar ao veterinário, vacinar, cuidar com todo amor!”

Ela cedeu.

A outra moça ficou emocionada, prometeu procurar o terceiro gatinho perdido, enquanto eu me concentrava na difícil missão: escolher.

Já tínhamos um nome de gatinha na cabeça: Brisè. Achamos que a menorzinha era fêmea, então foi ela.

Peguei no colo, agradeci com um “muchísimas gracias”, e partimos no botinho.

Ela miou muito — medo, claro. Fui conversando, acalmando. Quando chegamos ao Naboa, coloquei ela na cabine de proa, onde a gente dorme.

E agora?

Agora é real. A Brisè está com a gente. Uma conquista inesperada, um desvio lindo de rota e um dos momentos mais especiais dessa volta ao mundo.

Pode me beliscar? Eu não tô sonhando.

Brisé
No dia que chegou no barco

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